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O Rio era a capital federal e o rádio era um veículo em ascensão
Fotos: Acervo EBC/
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Testemunha de fatos históricos, vanguarda na criação de linguagens e formatos pro rádio, instrumento de integração do país, impulsionadora da nossa cultura, da música ao futebol, emissora mais popular do Brasil.
São muitos os adjetivos da Rádio Nacional em diferentes momentos dos séculos 20 e 21. É essa história longa e com tantas e tantos personagens que a gente quer te contar. Até o aniversário da emissora, em 12 de setembro, diariamente, você acompanha um novo capítulo.
No primeiro episódio, o convite é para que você se imagine no Rio de Janeiro no ano de 1936.
É na região central da então capital do Brasil que as primeiras emissoras de rádio se instalam: Rádio Sociedade, Rádio Clube do Brasil, Rádio Educadora, Mayrink Veiga, Philips.
Em maio de 1935, o jornalista Gilberto de Andrade escreve um artigo na revista A Voz do Rádio, pouco mais de um ano antes do nascimento da Nacional. Ele descreve o cenário e os desafios das rádios do então Distrito Federal.
“O ano corrente terá uma importância excepcional para as estações de rádio do Rio de Janeiro. Quando estiverem funcionando as 12 estações cariocas, onde irão os diretores de estúdio buscar artistas apreciáveis para os seus programas? Estarão mais uma vez confiados nas improvisações? Não é possível que eles já não tenham compreendido que os ouvintes perderam a ingenuidade. A missão universal do rádio é imprevisível e de consequências imensuráveis”.
Veículo para analfabetos, mas com aparelhos inacessíveis
Mas quem era o ouvinte de rádio da época? O professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), João Batista de Abreu, conta pra gente.
“O censo de 1940 indicava que o Brasil tinha em torno de 45 milhões de habitantes. Desses, 56% dos adultos eram analfabetos. Imagina o que isso significa em termos de abertura de informação. O primeiro veículo de comunicação popular, de massa, a falar para o analfabeto foi o rádio”.
A audiência ainda enfrentava a barreira do acesso aos aparelhos de rádio, ainda caros e artesanais. Mas isso também começou a mudar quando outro personagem da nossa história, o Ademar Casé, tem uma ideia. É o que nos conta o professor João Batista de Abreu.
“Ademar Casé era um grande radialista, mas com uma cabeça comercial muito grande. Quando ele vem de Pernambuco para cá, ele quer investir em rádio, mas para tornar aquilo um negócio lucrativo. E o número de aparelhos ainda era insignificante. Então ele pega a lista telefônica. Qual é o raciocínio dele? Naquela época, quem tinha telefone, tinha dinheiro. Ele vai e oferece um aparelho de rádio para essas pessoas. Deixava lá em consignação e voltava três dias depois. O marido comprava”.
Nacional entra na antiga frequência da Rádio Philips
É nesse clima que a Rádio Nacional vai ser inaugurada em 1936. A emissora nasce vinculada a um já consolidado veículo de comunicação, o jornal A Noite, e com a compra de equipamentos e frequência da Rádio Philips, que desistiu de operar.
Brasília (DF), 15/06/2026 – Panfleto anuncia estreia da Rádio Nacional em 1936. Documento foi incluído no Livro “Rádio Nacional – O Brasil em sintonia”, de Luiz Carlos Saroldi e Sônia Virgínia Moreira. – Luiz Carlos Saroldi e Sônia Virgínia Moreira/Divulgação
De volta ao centro do Rio de Janeiro, um importante espaço cultural, financeiro e político da então capital do Brasil. Ao andar na calçada, se recebia um panfleto escrito assim:
“Hoje, sábado, sintonize 980 kilocyclos e ouça PRE 8, Sociedade Rádio Nacional, a grande estação do Rio de Janeiro. O mais completo e aperfeiçoado aparelho técnico. A mais poderosa e completa organização de broadcasting”.
E é assim, com um discurso grandioso, que nasce a maior emissora da história do país, que vai marcar época e difundir a cultura nacional.
Créditos:
Este episódio contou com pesquisa e trechos do livro “Rádio Nacional: O Brasil em Sintonia”, de Luiz Carlos Saroldi e Sônia Virgínia Moreira. As locuções são de Guilherme Strozi e Raquel Júnia. Cezar Faccioli faz a voz de Gilberto de Andrade e Cynthia Cruz, do panfleto de época. A produção e roteiro são de Cezar Faccioli, Guilherme Strozi e Raquel Júnia. A pesquisa é de Aline Brettas, Maria Carnevale, Mariana Nazareth e Thiago Guimarães. Os trabalhos técnicos são de Jaime Batista, Lucas Alexandre, Lucia Safatle, Márcio Freitas, Marcos Inácio, Rafael Espíndola, Rafael Napoleão e Rafael Thomaz. A montagem, sonoplastia e mixagem é de Jailton Sodré. Concepção da série: Thiago Regotto.
Edição:
Rádio Nacional/ Sumaia Villela