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Edifício A Noite, símbolo moderno, abrigou a rádio por mais de 70 anos/
Guilherme Strozi e Raquel Júnia/
Brasília e Rio de Janeiro/
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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122 metros de altura, 22 andares e uma vista privilegiada da Baía de Guanabara. A descrição pode ser a de muitos edifícios que hoje se multiplicam nas proximidades da Praça Mauá, na região central do Rio de Janeiro. Mas, em 1929, em meio aos bondes que cruzavam o centro da cidade, o primeiro arranha-céu inaugurado na capital era uma grande novidade.
Seguindo a jornada pelos 90 anos da Rádio Nacional, hoje a gente te conta mais sobre esta que foi a casa da emissora por mais de 70 anos: o Edifício A Noite.
▶️ Este episódio é parte da série 90 anos em 90 histórias, que originalmente vai ao ar em toda a cadeia Nacional, diariamente, às 10h e às 20h. A Radioagência Nacional publicará todas as edições, com reprodução gratuita.
O prédio foi batizado com o mesmo nome de um jornal de grande circulação na época. E foi esse mesmo grupo privado de comunicação que construiu o edifício e fundou a Rádio Nacional, antes que ela fosse encampada no governo Vargas.
A construção do arranha-céu é um divisor de águas na capital. O prédio em concreto armado foi projetado por Joseph Gire e Elisiário Bahiana. Quem explica pra gente a relevância do projeto é o Alberto Taveira, arquiteto do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac).
“O Edifício A Noite é um marco na arquitetura brasileira, uma mudança nos parâmetros dessa arquitetura. Começa a transformar a cidade colonial portuguesa e ‘afrancesada’ por Pereira Passos em uma cidade americana, dos grandes arranha-céus”.
A Rádio Nacional ocupou inicialmente o 22º andar do prédio e, mais adiante, também o 21º. Direção, secretaria, discoteca, sala de músicos, estúdio de locução, estúdio principal e auditório.
Maria da Glória Ferreira da Silva, a Glorinha, hoje é auxiliar de produção na Rádio Nacional. Foi no Edifício A Noite que ela se apresentou, nos anos 80, para trabalhar em diferentes funções, depois que a antiga Empresa Brasileira de Notícias (EBN), mudou de endereço.
“Eu naquele tempo ela telexista. Telex era de mensagem, a gente digitava. Eu era digitadora e fazia outras coisas também. Eu ficava no 21º andar, e a gente tinha oportunidade de olhar o mar. Tinha o terraço, de onde a gente tinha uma visão de tudo da cidade”.
O Edifício A Noite foi testemunha das inúmeras fases da Nacional. É lá que a gente vive a nossa Era de Ouro. Gravamos as radionovelas que abriram os caminhos para a TV, revelamos artistas de todo o país, noticiamos o que mais importava em diferentes épocas.
“A Inglaterra e a França acabam de declarar guerra à Alemanha”, dizia o Repórter Esso, em meio à Segunda Guerra Mundial.
Décadas mais tarde, a Voz do Brasil noticiava o discurso do deputado Ulysses Guimarães, presidente da Assembleia Nacional Constituinte, na promulgação da Carta Magna de 1988: “a Constituição pretende ser a voz, a letra, a vontade política da sociedade rumo à mudança. Que a promulgação seja o nosso grito: mudar para vencer. Muda, Brasil!”.
É também no número sete da Praça Mauá que a Nacional noticiou, resistiu e foi duramente atingida pela ditadura civil-militar. 67 funcionários da emissora foram demitidos no governo Castello Branco. A gente vai te contar essa história em detalhes mais pra frente.
Casa da Nacional até 2012
Vamos voltar ao protagonista deste capítulo, nosso arranha-céu. 68 anos depois da criação da Rádio Nacional, os dois andares que abrigavam a nossa emissora no Edifício A Noite vão receber uma reforma.
O jornalista Eugênio Bucci era presidente da Radiobrás na época:
“Era um patrimônio cultural da cidade do Rio de Janeiro e da história do rádio, da cultura do Brasil. E as equipes que ficaram na Rádio Nacional guardaram com muito cuidado vários itens que eram da rotina da rádio nos tempos áureos, como os apetrechos pelos quais se fazia sonoplastia. E a gente queria manter um pouco isso, e que o auditório fosse usado. E foi interessante, porque, na inauguração, o presidente da Republica foi, foram vários ministro de Estado no auditório assistir ao show. Foi muito bonito, muito interessante”.
O Edifício A Noite foi a casa da Nacional do Rio de Janeiro até 2012, quando o prédio deixou de fazer parte do patrimônio da União. Em 2015, o primeiro arranha-céu da América Latina foi tombado e reconhecido como patrimônio histórico e cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Atualmente, passa por um processo de modernização e revitalização.
Antes, cenário dos bondes que cruzavam a Praça Mauá. Hoje, a casa histórica da Nacional é testemunha, mais uma vez, da modernidade, dos passageiros que vão e voltam de VLT.
*Este episódio usou trechos de reportagem da TV Brasil
Créditos:
Apresentação e produção de Guilherme Strozi e Raquel Júnia. Colaboração: Cezar Faccioli. A pesquisa é da equipe do Acervo: Aline Brettas, Maria Carnevale, Mariana Nazareth e Thiago Guimarães. A montagem, sonoplastia e mixagem é de Jailton Sodré. Os trabalhos técnicos são de Jaime Batista, Lucas Alexandre, Lucia Safatle, Márcio Freitas, Marcos Inácio, Rafael Espíndola, Rafael Napoleão e Rafael Thomaz. Coordenação de Produção e Programação : Cynthia Cruz – Gerência da Rádio Nacional Bianca Fingher – Gerência Executiva de Rádios : Carlos Senna Concepção da série: Thiago Regotto.
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Edição: Rádio Nacional/ Sumaia Villela