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Guilherme Strozi e Raquel Júnia Brasília e Rio de Janeiro
Imagem: Reprodução Rádio Nacional
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Rio de Janeiro, 1936. Aquele era um sábado de festa. Um auditório elegante, no topo do arranha-céu do Edifício A Noite. Perfumes no ar, fumaça de cigarro, casacas, sedas… E parte da elite política e cultural do país reunida. Uma noite que mudou a história da radiodifusão brasileira: a inauguração da Rádio Nacional.
Eis o testemunho do mestre de cerimônias e primeiro diretor de broadcasting da rádio, Celso Guimarães:
“12 de setembro. Sábado. Noite de gala no 22º andar. Estão presentes ministros de Estado, embaixadores, acadêmicos, senadores, deputados, o prefeito do Distrito Federal e figuras representativas do grand monde carioca, recebidos por uma comissão especial, da qual faz parte o locutor Aurélio de Andrade.”
▶️ Este episódio é parte da série 90 anos em 90 histórias, que originalmente vai ao ar em toda a cadeia Nacional, diariamente, às 10h e às 20h. A Radioagência Nacional publicará todas as edições, com reprodução gratuita.
“Foi fantástico, havia um avião divulgando uma grande festa pela cidade. A Rádio Nacional surgiu com pompas e circunstâncias”, lembra Cristiano Menezes, ex-diretor da emissora.
Mas, segundo o ex-apresentador da emissora, Osmar Frazão, o funcionamento pós-inauguração não foi “uma beleza”:
“Quando a Nacional foi inaugurada, muito gente pensou que foi uma beleza. Não foi assim. Primeiro foram contratados cantores. Mas, 3 meses depois, foram embora, a Nacional teve que mandar embora. Porque os transmissores que a Rádio Nacional tinha não iam a lugar algum. Não chegava na zona sul. Como você ia tentar vender um comercial se o som não chegava a determinados lugares importantes?”.
“Luar do Sertão” e mensagem de paz
Assim nascia a PRE-8, a Rádio Nacional do Rio de Janeiro. E coube a um homem a responsabilidade de dar voz a esse instante inaugural: Celso Guimarães, mestre de cerimônias. Primeiro diretor de broadcasting.
Pontualmente às 21h, as primeiras notas de “Luar do Sertão” ecoam. E então… o silêncio. O microfone aberto. E Celso fala: “Alô, alô, Brasil! Aqui fala a Rádio Nacional do Rio de Janeiro!”
As primeiras palavras. O nascimento de uma voz que atravessaria décadas.
Poucos aparelhos de rádio espalhados pela elite e pela classe média da capital federal. Alguns alto-falantes pelas ruas.
Naquela noite, a música “Luar do Sertão” não foi executada integralmente. Foram só algumas notas. A música completa, mesmo, só seria exibida três anos depois, num programa da Rádio Nacional comandado por Lamartine Babo, chamado “Vida Musical e Pitoresca dos Grandes Compositores”.
Logo depois das primeiras palavras na nova emissora, a Orquestra do Teatro Municipal executa o Hino Nacional.
Autoridades discursam. Entre elas, o presidente do Senado, Medeiros Neto. Em nome do presidente da República, e com a proximidade de uma Segunda Guerra Mundial no planeta, ele anuncia a nova emissora como uma voz pela liberdade e pela paz.
“Aqui se levanta mais uma voz pela paz e pela defesa de todos quantos souberem, nesta hora terrível para a humanidade, compreender que ela é mais uma garantia de que, na nossa pátria, a liberdade terá sempre um culto. Está inaugurada a grande estação da Sociedade Rádio Nacional.”
Primeira transmissão externa foi uma bênção
A programação segue. Discursos, agradecimentos, representantes do Brasil e do exterior. E, em seguida, outro marco histórico: a primeira transmissão externa da emissora. Diretamente do Palácio São Joaquim, no bairro da Glória, o cardeal Dom Sebastião Leme concedeu a bênção à Rádio Nacional.
E, para encerrar a cerimônia de inauguração, Oduvaldo Cozzi, que mais tarde se tornaria um dos grandes narradores esportivos do país, anunciou o programa inaugural da PRE-8. Nascia, oficialmente, a Rádio Nacional.
A emissora que nasceu privada, com fins comerciais, mudaria sua missão nos anos seguintes e se tornaria, na próxima década, a maior rádio do país.
Créditos:
Este episódio usou áudios do acervo EBC e trechos do livro “Rádio Nacional: O Brasil em Sintonia”, de Luiz Carlos Saróldi e Sônia Virgínia Moreira, e do documentário “Rádio Nacional”, de Paulo Roscio. Apresentação e produção de Guilherme Strozi e Raquel Júnia. Colaboração: Cezar Faccioli. A pesquisa é da equipe do Acervo: Aline Brettas, Maria Carnevale, Mariana Nazareth e Thiago Guimarães. A montagem, sonoplastia e mixagem é de Jailton Sodré. Os trabalhos técnicos são de Jaime Batista, Lucas Alexandre, Lucia Safatle, Márcio Freitas, Marcos Inácio, Rafael Espíndola, Rafael Napoleão e Rafael Thomaz. Coordenação de Produção e Programação : Cynthia Cruz – Gerência da Radio Nacional Bianca Fingher – Gerencia Executiva de Radios : Carlos Senna Concepção da série: Thiago Regotto.
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