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Fotos: Reproduções/
Por Marlucio Luna*
Os anos de 1938 e 2026 têm muito mais em comum do que se imagina. No primeiro, Hitler invadiu e anexou a região dos Sudetos, na antiga Tchecoslováquia. A Liga das Nações (a ONU da época) tinha a autoridade de um bêbado na praça tentando organizar o trânsito. As potências da então se calaram, temendo um conflito de grandes proporções. Em 1939, a Alemanha atacou a Polônia, marcando, na visão dos historiadores, o início da 2ª Guerra Mundial.
O ano de 2026 mal tinha começado quando assistimos à invasão do território venezuelano e ao sequestro de Nicolás Maduro pelas tropas dos Estados Unidos. Que o bigodudo chavista é um autocrata, poucos duvidam. Contudo considerar aceitável a ação militar dos gringos já se encontra no campo do viralatismo mais absurdo.
Cantado em prosa e verso pela esquerda, o apoio da China e da Rússia a Maduro limitou-se a burocráticas notas das respectivas chancelarias. Putin está mais preocupado em garantir fatias da Ucrânia. Já Pequim, no momento, só tem olhos para Taiwan. Maduro é carta fora do baralho. A vice-presidente já assumiu, junto com o novo Congresso venezuelano. E a vida segue. Os investimentos chineses na região estão garantidos e as empresas norte-americanas vão se esbaldar com as reservas de petróleo.
A dúvida que fica: seria a Venezuela a repetição da anexação dos Sudetos? Trump já avisou que Colômbia, Canadá, México e Groenlândia estão no radar. Como em 1938, a ONU (versão 2.0 da Liga das Nações) hoje é tão útil quanto uma forma de gelo no Saara. E se o Cheetos decidir “levar a democracia” ou o “combate às drogas” a um novo país? O Brasil tem petróleo (bem menos que a Venezuela), terras raras, reservas de água doce e a Amazônia. Será que o governo terá “cojones” para assumir uma posição de independência e soberania ou vai abrir as pernas? Vou além: quem hoje acredita que Rússia e China se colocarão efetivamente contra os EUA se a política expansionista prosseguir?
Antes que alguém venha repetir a cantilena sobre ditadura e respeito aos direitos humanos, sugiro ouvir a íntegra da entrevista de Trump pós-sequestro de Maduro. Não houve uma só menção a essas duas questões. Falou-se apenas de petróleo. Foi a reafirmação — para quem ainda tinha dúvidas — da volta em grande estilo da Doutrina Monroe.
Para encerrar, não entendo a surpresa da esquerda ao ver “patriotas” pedindo que o mesmo ocorra no Brasil. Os conservadores tupiniquins sempre se acadelaram diante dos gringos. Adotam a postura servil com mais alegria que a verificada em um ganhador da Mega da Virada.
*Marlucio Luna é jornalista.
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(Texto publicado no perfil do autor no Facebook).