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Por Rafael Rossi*
Imagem: Reprodução
O capitalismo surge na história com a expropriação dos meios de produção da classe trabalhadora. Camponeses e artesãos foram transformados em proletários e obrigados a trabalhar nas fábricas para sobreviver.
Agora, na Quarta Revolução Industrial, estamos vivendo a expropriação dos bens pessoais dos trabalhadores. Tudo se tornou assinatura e aluguel. Esse capitalismo de serviços, que convida a pessoa comum a ser “minimalista”, concentra carros, casas, apartamentos, produtos culturais como filmes, músicas e séries (antes comprados em CDs e DVDs) nas mãos de poucas empresas.
O trabalhador não tem mais nada seu. Para completar, os produtos que as pessoas têm acesso cada vez têm menos valor. Antes era mais comum famílias terem joias de ouro, que, numa crise, podiam ser penhoradas. As roupas de linho, duráveis e saudáveis, foram substituídas por roupas de tecidos ruins e que estragam mais rápido.
Os objetos de prata que eram usados nas casas foram substituídos por materiais menos valiosos. Os antigos bens duráveis sofrem com o obsoletismo planejado. Comida de verdade ganhou etiqueta de orgânico e o que antes o pobre comia virou luxo de classe média.
Consumimos mais e mais fácil, mas coisas de pior qualidade. Até o que era especial perdeu o sabor e o valor. Quem não era rico viajava em lua de mel, para visitar a família ou para fazer uma pesquisa acadêmica. Ir a outro país, estado ou cidade estava vinculado a relações sociais orgânicas.
Hoje, muita gente não casa mais nem constitui família; viajar para visitar a família assumiu um caráter mais de obrigação social do que de prazer compartilhado; e o estudo não dá mais prazer, tornando-se meramente uma busca de acréscimo salarial.
A maioria das pessoas se divertem ou viajam numa competição silenciosa com seus pares, olhando pelas redes sociais como outros aproveitam a vida. É a lógica competitiva e de desempenho do mundo do trabalho invadindo o tempo livre.
O mesmo se aplica à vida sexual e à beleza. As pessoas não buscam se melhorar, mas se enquadrar a um padrão, sustentando a indústria da beleza. Até a vida sexual se tornou performance. Ter mais parceiros/parceiras ou de status ou beleza maior aumentam o valor dos próprios indivíduos perante a sociedade.
Quando falam de relacionamentos, as pessoas nem mencionam mais a palavra amor. Desse modo, uma vida mais solitária, pobre e vazia impulsiona o endividamento porque comprar coisas e viver “experiências” preenche o vazio existencial daqueles que tiveram até a alma arrancada pelo capital.

*Rafael Rossi – Escritor, roteirista, professor de História, consultor de imagem e profissional de marketing. Postado inicialmente no perfil do autor numa plataforma de rede social. (link abaixo).